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	<title>Cátia Kitahara&#187; Cátia Kitahara</title>
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	<description>Blog e portifólio da webdesigner e ilustradora Cátia Kitahara</description>
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		<title>Desenho no Odosketch</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 18:50:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[odosketch]]></category>

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		<description><![CDATA[Pois é, eu não saio do computador então só podia acabar desenhando no computador. Outro dia achei este site muito legal chamado Odosketch onde a gente faz sketches usando o mouse. Apanhei um pouco no começo, mas comecei a pegar o jeito no final. Meu primeiro desenhinho lá:

Fiz outro:




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			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois é, eu não saio do computador então só podia acabar desenhando no computador. Outro dia achei este site muito legal chamado <a href="http://sketch.odopod.com">Odosketch</a> onde a gente faz sketches usando o mouse. Apanhei um pouco no começo, mas comecei a pegar o jeito no final. Meu primeiro desenhinho lá:</p>
<p><embed src="http://sketch.odopod.com/flash/OdoSketch.swf?sketchURL=/sketches/150387.xml&#038;userURL=/users/28056&#038;bgURL=/images/bigbg.jpg&#038;mode=embed" AllowScriptAccess="always" bgcolor=#EDE7DB menu="false" quality="high" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="257"></embed></p>
<p>Fiz outro:</p>
<p><embed src="http://sketch.odopod.com/flash/OdoSketch.swf?sketchURL=/sketches/150414.xml&#038;userURL=/users/28056&#038;bgURL=/images/bigbg.jpg&#038;mode=embed" AllowScriptAccess="always" bgcolor=#EDE7DB menu="false" quality="high" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="257"></embed></p>
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		<title>Recordações de outros Natais</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 23:27:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Et coetera]]></category>

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		<description><![CDATA[O Natal prá gente era o ápice da nossa vidinha infantil. Mas prá gente ele começava antes, já no final de outubro. Minha avó organizava uma encenação do presépio, com a netaiada e criançadas dos &#8220;agregados&#8221; da família. Os ensaios começavam bem antes, na catedral de Sant&#8217;Anna. Os netos mais velhos representavam os personagens mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Natal prá gente era o ápice da nossa vidinha infantil. Mas prá gente ele começava antes, já no final de outubro. Minha avó organizava uma encenação do presépio, com a netaiada e criançadas dos &#8220;agregados&#8221; da família. Os ensaios começavam bem antes, na catedral de Sant&#8217;Anna. Os netos mais velhos representavam os personagens mais importantes: José, Maria, os arcanjos Gabriel, do sonho de José e dos pastores de Belém, a Estrela-Guia, Isabel, a prima de Maria e mãe do João Batista, os três reis magos. Os menores eram relegados aos papéis menos importantes: pastores, anjinhos, bichinhos (sim, a vaca, o boizinho e o burrinho eram representados por crianças com máscaras). Com o tempo, minha vó foi ficando velhinha e a tarefa foi assumida pela minha mãe que acrescentou algumas cenas, como a do soldado romano lendo o edital sobre o rescenceamento, a do casal José e Maria procurando uma estalagem em Belém, e a do tirano Herodes consultando os doutores da lei e ordenando a matança dos inocentes.<span id="more-128"></span></p>
<p>Tudo era encenado com vestimentas preparadas pela minha avó ou costureiras. Minha mãe tentava fazer os figurinos mais realistas, no começo os pastores se vestiam com roupas de pastor europeu, meio tirolês, mas minha mãe fez trocar para um pastor mais judeu, de túnica com pano na cabeça amarrado com cordinha. Os homens da lei usavam até uma touquinha, o Herodes, tinha uma coroa de louros e o centurião, um capacete com aquele moicano vermelho. Até um aparato daqueles de incenso para um dos reis Magos carregar tinha. Meu avô também entrava na dança, ele fez a manjedoura, que servia de berço para menino Jesus, fez a estrela guia que uma menina carregava, as coroas dos reis, os baús com os presentes e as asas dos anjos. Ele também inventou uma lanterninha que imitava uma vela com uma pequena lâmpada. Na cena em que o anjo aparece para os pastores, apagavam as luzes e os anjinhos entravam correndo com suas lanterninhas acesas prá cantar o Hosana nas alturas. Além disso, ele era responsável pelo transporte da criançada na sua famigerada Kombi verde abacate. Meu avô sempre teve fama de brabo, de dar tremendas surras nos seus filhos, mas prá mim, meu avô era muito querido e nunca falou duro comigo. Essa participação dele no presépio mostrava também sua disposição para agradar os netos. Outro primo fez as máscaras dos bichinhos e um rebanho de carneiros de madeirite com algodão. As asinhas eram feitas com penas de galinha que minha avó pegava na granja, lavava em água fervente e depois tingia algumas de rosa e outras de azul, algumas ficavam branquinhas mesmo. A casa virava uma verdadeira produção, na mesa da copa o meu avô ficava lá, colando as penas, enquanto minha avó ficava bordando os vestidinhos.</p>
<p>Os ensaios eram uma diversão, geralmente aconteciam à noite. A gente ficava correndo pelos corredores da grande catedral vazia e olhando os vitrais coloridos com imagens de santos e embaixo as dedicatórias, cada um foi patrocinado por uma família graúda de Mogi. Ao lado da entrada havia uma sala onde ficavam as imagens das procissões, a gente ficava fascinada e aterrorizada com a imagem do Senhor morto num esquife.  Ficava pensando se Ele estava mesmo mortinho ali. Tinha também a Nossa Senhora das Dores, com um punhal no peito, e a do Cristo Ressurrecto. Depois corríamos pelo corredor lateral largo que ia dar na capela do Santíssimo. Nesta capela há uma pintura muito linda na parede dos Discípulos de Emaus. A gente ficava lá olhando. Minha avó ficava explicando e contando algumas histórias prá gente, da Bíblia e dos Santos. Na saída geralmente comprávamos uma pipoquinha e às vezes íamos caminhando até a casa da avó, lembro especialmente do cheiro de dama-da-noite, que batia da casa dos vizinhos da frente, Seu Mauro e Dona Dina. As noites eram mornas e a gente passeava. Pelo caminho íamos brincando de se equilibrar na guia da calçada ou de só pisar nas partes brancas.</p>
<p>Como a gente era feliz, meu deus! Além da encenação do presépio tinha também a grande ceia na casa da minha avó, no dia 24. Minha tia sempre chamava a gente prá ajudar a enfeitar a casa e montar o presépio. Depois que o presépio ficava pronto, minha avó fazia a gente rezar em volta. Meu avô tinha feito uma cabaninha de telhado de palha, pedaços de espelho representavam os lagos. A gente adorava ficar lá olhando. Alguns anos, inventaram uma árvore com chocolates pendurados, lembro que uns primos velhos e sem graça avançaram e me deixaram sem nenhum. Eu era &#8220;café-com-leite&#8221; durante uma época, porque era a mais nova de uns vinte netos. Isso significava que eu entrava nas brincadeiras só prá participar, mas não era &#8220;prá valer&#8221;. Minha avó me disse: &#8220;Não liga, boba, depois a vovó te dá uns docinhos&#8221;.</p>
<p>Na noite da ceia, meus avô e tios aumentavam a grande mesa da sala de jantar para comportar todo mundo, e alguns ainda ficavam de pé. Era uma fartura, uma comilança, e só coisa gostosa. A família toda reunida, algumas vezes rolaram alguns arranca rabos memoráveis, mas na minha inocência de criança, não fazia idéia do que acontecia no mundo dos adultos. Mas antes de avançar na comida, minha avó fazia a gente rezar, lia o evangelho, rezava terço e lia uma mensagem escrita por ela especialmente para a ocasião. Geralmente nessa hora o telefone tocava, algum dos filhos, netos ou parentes de fora ligando para tomar a benção dos velhos. Depois um tio fantasiado de Papai Noel vinha distribuir os presentes. Eu morria de medo do Papai Noel, minha mãe diz que meu coraçãozinho disparava na hora de pegar meu presente. No dia seguinte, ainda havia o almoço de Natal. Algumas sobras do dia anterior, mas também pratos especialmente para o dia. Minha sobremesa favorita era o pudim de leite da minha avó, o pudim mais gostoso. Minhas tias se esmeravam na sobremesa, mas eu gostava mesmo era do pudim.</p>
<p>É, é difícil acreditar como tudo muda, como o que era tão certo hoje não passa de lembrança. Natal hoje é só uma correria tremenda, e eu trabalhando, quase nem percebo e de repente já passou dia 24. Saudades&#8230;</p>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 00:27:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Compreender a vida é uma tarefa inútil, aceitar a morte é uma tarefa quase impossível, mas mais dia menos dia, tudo passa e tudo passará. Dia difícil, de perda, de reflexão. Pensando que amar é quase sobrehumano, como diz a música. Mas é preciso. É preciso parar de buscar em outro lugar o que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Compreender a vida é uma tarefa inútil, aceitar a morte é uma tarefa quase impossível, mas mais dia menos dia, tudo passa e tudo passará. Dia difícil, de perda, de reflexão. Pensando que amar é quase sobrehumano, como diz a música. Mas é preciso. É preciso parar de buscar em outro lugar o que a gente tem aqui mesmo e aceitar o que a gente tem.</p>
<p>Eu me canso de mim mesma, muito mesmo, mas não posso desistir. Acho que não mereço muita coisa, e ao mesmo tempo acho que eu mereço muito, muito mais. Mas eu sou um leão, eu sou forte, eu choro alto, eu soluço, mas eu continuo. Às vezes, acho que sou como um cavalo enlouquecido, desgovernado e o cavaleiro perdeu as rédeas. Não consigo me controlar e quando eu vejo fui eu mesma, eu novamente, sempre eu. Mas a verdade é que eu sou eu e não me vejo sendo outra, por mais doloroso que isso seja, prá mim e pros outros.</p>
<p>Mas eu tenho estofo, eu tenho dentro de mim, uma pessoa que mesmo tremendo desesperadamente faz o que tem que ser feito, pro bem e pro mal. Isso eu sei de mim. E tem muita gente que na hora salta de lado. Eu sei que assusto os outros, sou de dar medo, pois tenham medo mesmo seus covardes. Porque eu estou aqui inteira, de carne de osso, sou gente de verdade. Não sou uma fantasia, não tapo sol com peneira.</p>
<p>O que eu preciso é focalizar quem eu sou de verdade e buscar meu caminho, estou vivendo muito ao Deus dará, me deixando levar pela corrente, que está a meu favor, mas uma hora vira e eu fico sem nada.</p>
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		<title>O mendigo na chuva</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 01:21:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está passando agora na tv aquele filme, Crash, que segue a mesma linha do Babel. Tramas paralelas que se tocam e que falam dos problemas sociais dos nossos tempos: racismo, violência, guerra, etc. Quer dizer, acho que de todos os tempos.
Enfim, isso acabou me lembrando um dia esse ano, em que fui prá São Paulo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está passando agora na tv aquele filme, Crash, que segue a mesma linha do Babel. Tramas paralelas que se tocam e que falam dos problemas sociais dos nossos tempos: racismo, violência, guerra, etc. Quer dizer, acho que de todos os tempos.<span id="more-121"></span></p>
<p>Enfim, isso acabou me lembrando um dia esse ano, em que fui prá São Paulo fazer várias coisas, entre elas, fui aprovar as camisetas do WordCamp. O lugar era na Vila Olímpia, eu estava no Marechal Deodoro. Já eram quase cinco horas, o lugar fechava às seis. Começou a cair um pé d&#8217;água daqueles. O trânsito estava uma caca, eu estava cansada dentro do ônibus parado. Liguei avisando que estava a caminho, mas que ia atrasar. Concordaram em me esperar. Cheguei no local às seis e quarenta, pingando porque o guarda-chuva não adiantava prá nada diante daquele aguaceiro. Saí de lá, parecia que nunca mais os carros iam se movimentar. Resolvi esperar num café, comer alguma coisa. Quando deu oito horas saí e resolvi voltar prá casa. Cheguei em casa quase meia-noite. Estava um caco, nervosa, cansada, molhada, com frio, moída. Fui caminhando prá casa, pensando &#8220;que merda!&#8221;.</p>
<p>Na rua de casa, quando eu parei prá atravessar, olhei prá baixo e tinha um mendigo deitado no chão, encolhido, molhado, embaixo de um telhadinho, desses de portão. No exato momento em que eu olhei, ele se virou para meu lado e nossos olhares se cruzaram. Meu instinto foi me assustar, ficar com medo. Mas no mesmo instante a sensação se apagou, porque o olhar dele era tão perdido, tão desolado. Eu segui meu caminho e entrei em casa. Mas eu não conseguia parar de pensar naquele homem, deitado no chão, no frio, na chuva, sem ter um lugar prá se abrigar. Eu tomei meu banho, botei pijama e me deitei. Mas o pensamento no coitado, o que se passava naquela mente? Pensei: &#8220;minha avó não iria deixar isso acontecer na porta da casa dela&#8221;. Levantei da cama, peguei uma blusa, um par de meias, um saco plástico, criei coragem e saí na rua e fui levar prá ele, mas ele não estava mais lá.</p>
<p>Entrei em casa e me senti mal. Quanta gente, meu Deus, anda assim perdida pelo mundo, e a gente no conforto da nossa casa? Eu disse acima: &#8220;criei coragem&#8221;. Pois a palavra é justamente essa: coragem. Minha avó tinha coragem, minha avó era boa. Ter bondade é ter coragem.</p>
<p class="categorias">
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		<title>O meu WordCamp Brasil &#8211; parte 4</title>
		<link>http://www.catiakitahara.com.br/wordpress/o-meu-wordcamp-brasil-parte-4</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 03:45:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
				<category><![CDATA[WordPress]]></category>
		<category><![CDATA[latinoware]]></category>
		<category><![CDATA[wordcamp]]></category>
		<category><![CDATA[wordcamp brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Finalmente entramos na última semana com tudo em cima, fizemos uma reunião via WebConf do MinC no domingo, gentileza concedida pelo Guilherme, para acertarmos detalhes da grade de palestras, voluntários e tudo mais. O Zé me passou os planos de viagem dele e do Matt. Sim dessa vez era certo, tudo confirmado. Eu fiquei de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Finalmente entramos na última semana com tudo em cima, fizemos uma reunião via WebConf do MinC no domingo, gentileza concedida pelo Guilherme, para acertarmos detalhes da grade de palestras, voluntários e tudo mais. O Zé me passou os planos de viagem dele e do Matt. Sim dessa vez era certo, tudo confirmado. Eu fiquei de ir buscá-lo no aeroporto de Cumbica na quinta-feira às 15h. Pedi para minha amiga/prima-irmã/sócia Helô ir comigo, pois não dirijo em São Paulo. Com tantas coisas para fazer, quinta-feira chegou e às duas horas eu ainda não tinha arrumado minha malinha para ficar esses dias em Sampa, e ainda tinha que imprimir as etiquetas dos crachás, buscar os banners.<span id="more-116"></span></p>
<p>Quando saímos de Mogi já eram mais de três horas da tarde, tentava ligar para o Zé e não conseguia. Liguei pro Edu pedindo pra ele descobrir como é que se fazia ligação internacional do meu celular porque não estava conseguindo. Mas chegamos a tempo no aeroporto, as pessoas estavam desembarcando. Improvisei um cartaz com o nome do Zé e um W de WordPress para ele me reconhecer. Ele passou por mim e não viu, mas o reconheci e gritei: &#8220;José! Fontainhas!&#8221; E ele se virou e abriu um sorriso todo simpático e amistoso.</p>
<p>Depois de uma longa viagem de nove horas (?) o coitado caiu no pior e mais ingrato trânsito de São Paulo. Marginal parada e eu esqueci de pegar o rádio do carro! Fomos conversando até que num certo ponto percebemos que o combustível estava na reserva! E a gente parada na expressa da marginal!! Rezando prá aguentar conseguimos parar num posto onde comprei guaranás e pipocão cor-de-rosa prá gente se divertir no carro. Coitado do Zé! Bem-vindo a São Paulo! Conseguimos chegar no hotel depois de duas horas e meia! Deixamos ele lá, e combinamos de nos encontrar mais tarde para jantarmos. Levei o Zé na Bela Paulista onde nos encontramos com o Edu e o Felipe, meninos curitibanos queridos da comunidade. Rimos muito com as nossas palhaçadas e um mega fora que dei na comunidade e que provocou um acesso de riso bastante politicamente incorreto em mim. Sim, rio muito, até agora só falei do quanto eu chorei, mas normalmente eu rio muito, tenho frouchos de riso desses que impedem a gente de falar.</p>
<p>No dia seguinte o Matt chegaria de manhã e então fomos almoçar juntos, eu, Zé e ele. Pedi prá Helô uma sugestão de onde levar o Matt. &#8220;Do que ele gosta?&#8221; A sei que ele gosta de carne. &#8220;E quem vai pagar?&#8221; Acho que é ele. &#8220;Ah então leva ele no Rubayat&#8221;. Aquele onde mataram o Celso Daniel? &#8220;Esse. Na rua do hotel, mas pega um táxi que é prá lá da Brigadeiro&#8221;. Ok. Uma e meia o Matt desceu no lobby do hotel com sua câmera quase inseparável. Já disparou uns milhões de cliques, eu pensando: &#8220;ai minha santa e eu com essa cara amassada de dois meses sem dormir&#8221;! Agora pausa para confissões de Bridget Jones. Gente, nesses dois meses e meio não fiz o pé nem a mão, tava parecendo o Capitão Caverna em dias de cabelo ruim e a Perla nos dias de cabelo liso, pedindo um corte há séculos! Ou seja, estava me sentindo um super bagulho e esse menino com essa câmera que pega até detalhe da obturação no sorriso. Ai que vergonha do Varte! Bom, o Zé aconselhou o Matt a deixar a câmera no hotel, no que eu estive plenamente de acordo. E lá fomos nós a pé, a recepcionista do hotel disse que ficava a apenas quatro quadras dali. Pois bem em paulistano isso significa longe. O Matt de havaianas e o Zé morto de fome e eu arrastando os dois pela alameda Santos no horário do almoço. A cada quatro esquinas eu parava prá perguntar e me diziam: &#8220;Daqui quatro quadras&#8221;. Enfim chegamos sentamos e comemos. Comida maravilhosa, o Matt comeu um boi inteiro, eu uma peça de picanha e o Zé, nem sei. Dava prá acabar com a fome na África, juro! Na hora de pagar a conta, o cartão do Matt não passou, o do Zé também não! Resultado, tive que pagar a conta, o valor dava mesmo prá acabar com a fome na África! Enfim, saímos de lá e combinamos de sairmos para uma noitada.</p>
<p>Liguei pro Leo e ele ficou de pensar algum lugar legal. Fomos no Empanadas na Vila Madalena, o Matt disse que estava sem fome, mas chegou lá e comeu umas quatro empanadas acompanhadas de caipirinhas. O Zé também. Eu na cervejinha e o Leo resistindo porque estava dirigindo. Mais tarde chegaram o seu Felipe e o Edu com sua amiga Miriam. Foi muito divertido, descontraídos pelo álcool, conversamos muito sobre tudo, sobre o Richard Stalman que esnobou o Matt, sobre opensource, o Matt chegou a dizer que iria &#8220;opensource himself&#8221;, sobre atrizes pornô chamadas Crystal Wack, enfim sobre tudo e mais um pouco. Fizeram rodadas de tequila, das quais me recusei a participar. O Matt entornando as minhas. O motivo pelo qual ele não viria é o cansaço clínico que ele tem sentido por conta das inúmeras viagens. Acho que o problema não é bem as viagens, mas o que ele bebe nelas. Eu só pensando comigo: &#8220;Caramba, amanhã a gente tem que estar de pé às nove no mínimo. Será que vão aguentar?&#8221;</p>
<p>No dia seguinte, CMS Brasil, nós todos lá no hotel Novotel Jaraguá prá palestra do Matt e oops, mesa redonda da qual eu participaria! Daniel Pádua e Guilherme também estavam lá! Que alegria reencontrar esses meninos! (Adoro todos eles, mesmo. Meus queridos!) Caí em mim e lembrei que não tinha preparado absolutamente nada para essa tal mesa redonda. Ai meu Deus, o que eu pergunto prá ele? Se ele prefere tequila ou caipirinha? Não, acho melhor não. Me ajuda, meninos, me ajuda! E uma dor de cabeça medonha! Ressacão horrível. O Matt com uma cara de poucos amigos, eu pensando comigo: &#8220;putz acho que vai ser uma merda isso, olha a cara dele&#8221;. Perguntei prá ele: &#8220;Tá vivo?&#8221; Respondeu sorrindo: &#8220;Sure!&#8221; Bom começou a palestra e, meu, o Matt deu um show. Confesso, virei fã incondicional! Já havia assistido sua palestra no Latinoware, mas dessa vez eu sabia a que horas ele tinha ido dormir e o quanto tinha bebido! Tiro o chapéu, profissa demais! Falou super bem e coisas muito bacanas. Confirmou porque o WordPress é tão bem sucedido. A mesa redonda foi tranquila, não precisei participar muito, que alívio, me senti uma idiota lá em cima, mas tudo bem. Até que não foi grave. Fomos almoçar uma feijoadinha básica e em seguida fomos apoiar o Leo na palestra dele. Leo também deu show. Me orgulho desse menino, mas depois falo disso.</p>
<p>Bom terminada a palestra do Leo fomos para FUNARTE armar o nosso circo. Nessa hora caíram do céu vários anjos que eu nem acreditava que existiam. Um deles foi meio que convocado, mas não deixa de ser anjo: Pedro Germani, primo do Leo e sócio no HackLab. Que menino gente boa, meu Deus, acho que isso deve ser coisa de sangue também. Outro anjo com super poderes: Fernando. Com seu super gps e otimismo, meu, que cara gente fina, meu! Marco, nem sei de onde surgiu e nem para onde foi! Cadê você, Marco? O Felipe, e o Fred e o Mauro da FUNARTE. Além desses anjos, tinha os meninos de sempre da comunidade, os que estão lá firmes e fortes sempre, sempre, que me apoiam mais do que mereço: Fabiano, Guilherme e Marcelo do Xemelê, Eduardo e Felipe de Curitiba, e o infálivel e impávido como Peri, Leo Germani. Ah, e claro, o nosso santo padroeiro Zé Fontainhas! Sem comentários! Saímos de lá tarde da noite para o grande dia.</p>
<p>O que dizer sobre o grande dia? Prá dizer a verdade nem sei dizer direito como foi. Só sei que muita, mas muita gente inscrita não foi. Me desculpem, sei que nem todos se encaixam, mas que bando de vacilões! É, você aí que se inscreveu e  não foi porque, a sei lá porque: VACILÃO! Vergonha alheia por você. Perdeu mesmo porque foi DEMAIS DE BOM! Só sinto que na correria não consegui assistir nenhuma palestra só a do Matt, que foi outro show. Enfim, o final catártico que por si só valeu toda a aporrinhação que foi organizar isso. Se eu faria de novo? Faria, mas diferente. Sinto não ter tido a oportunidade de me despedir do Matt e agradecê-lo muito, muito mesmo, agradecê-lo por tudo, agradecê-lo por ter vindo no final das contas, agradecê-lo por ter feito o WordPress e dividido com a gente. Agradecê-lo pelas oportunidades de trabalho que surgiram, agradecê-lo pelas coisa novas que aprendi, mas principalmente agradecê-lo por conhecer esses meninos. Por esses meninos que adoro e por quem tenho um carinho enorme! Vou falar um pouquinho o que acho daqueles que estão mais próximos de mim.</p>
<p>Leo Germani &#8211; puxa vida, disse lá no final: &#8220;por esse menino ponho a mão no fogo&#8221;. Ponho mesmo, ponta firme até o talo, caráter excepcional, poucas palavras, mas sempre sábias. Bendita a hora que encontrei ele.</p>
<p>Eduardo &#8211; gosta de &#8220;rock paulera&#8221; só prá disfarçar sua verdadeira natureza ultra-meiga. E esse humor ácido, inteligente, nonsense e escrachado, também só prá botar banca de mau, porque no fundo é um fofo.</p>
<p>Seu Felipe &#8211; porra meu, que cara engraçado, meu. Mais que engraçado o Seu Felipe tá desde o comecinho mesmo, sempre lá. Super novo e cheio de sabedoria, me dando lições de como lidar com os malas que aparecem. E ele tem razão.</p>
<p>Guilherme &#8211; mais quietinho, mas sempre ali me dando uma força. Companheiro, sempre me perguntando: &#8220;como estão as coisas Cátia, precisa de ajuda&#8221;? Na maior parte só isso já é o suficiente, saber que tem gente que se importa com você é tudo.</p>
<p>Daniel Pádua &#8211; vacilão, num foi, mocorongo, bocó! Sério, o Daniel é um visionário que vai alçar grandes vôos no planalto e me encher de orgulho.</p>
<p>Anderson &#8211; outro vacilão que não foi, mas que está lá, sempre a postos. Nunca vi mais fiel e constante.</p>
<p>José Fontainhas &#8211; meu santo padroeiro, não tenho mais o que falar.</p>
<p>Enfim, Matt Mullenweg, THANK YOU!</p>
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</p>
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		<title>O meu WordCamp Brasil &#8211; parte 3</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 02:56:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
				<category><![CDATA[WordPress]]></category>
		<category><![CDATA[wordcamp]]></category>
		<category><![CDATA[wordcamp brasil]]></category>
		<category><![CDATA[wordcamp-br]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa é a continuação do post anterior.
E o &#8220;são&#8221; José Fontainhas não me falhou. O Zé é um cara muito gente boa, desde o começo sempre nos ajudou. Sempre ali, 100%. Simpático e tranquilo. Sabia que há pouco tempo tinha entrado para o time da Automattic. Pensei comigo: &#8220;Ele tem acesso ao Matt, ele pode [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Essa é a continuação do post anterior.</em></p>
<p>E o &#8220;são&#8221; José Fontainhas não me falhou. O Zé é um cara muito gente boa, desde o começo sempre nos ajudou. Sempre ali, 100%. Simpático e tranquilo. Sabia que há pouco tempo tinha entrado para o time da Automattic. Pensei comigo: &#8220;Ele tem acesso ao Matt, ele pode interceder por mim&#8221;. O Matt deve receber trocentos emails e o meu deve estar até hoje na sua caixa de entrada. Precisava de alguém que falasse com ele tipo agora, já!<br />
<span id="more-111"></span></p>
<p>Confesso que estava, além de triste, muito desapontada, achando que a Automattic não dava a mínima prá gente. Primeiro o Andy, depois o Matt, além de não ter recebido nenhuma resposta sobre o patrocínio. E eu aqui me matando, fazendo das tripas coração pro Matt estar presente e no fim ele não viria. E o pior seria ter que anunciar isso e ainda esperar a reação dos patrocinadores, que não iriam gostar nada da história, tenho certeza! A aquela altura só um patrocinador havia pago metade, o resto somente acordo de boca, nada assinado. Uma notícia dessas poderia acabar com o WordCamp de vez.</p>
<p>Expus todos esses argumentos pro Zé, que logo me mandou a seguinte resposta:</p>
<blockquote><p>Vamos ver o que se pode fazer. Seja como for, se a minha presença aí ajudar a minimizar o problema, contem desde já comigo.</p></blockquote>
<p>No dia 9 de junho o Zé me chamou prá conversar no skype com ele e Matt. Caramba o skype dá pau no meu computador e tive que desinstalar e agora? Bom vamos tentar instalar de novo, instalei e a birosca ficava lá rodando que nem chacrete mas nada de avisar. Não entrava, reiniciei meu computador milhões de vezes até que consegui entrar e não deu pau. Ufa, ok, &#8220;tô aqui, Zé&#8221;. Fiquei assim, a manhã toda olhando o pro ícone do skype que nem cachorro esperando o dono. Imagino que o Leo também devia estar tenso lá no Hacklab, aguardando as novidades. Fui almoçar, engoli alguma coisa depressa e voltei.</p>
<blockquote><p>[09/06/2009 13:19:19] catiakeiko: oi Zé, voltei<br />
[09/06/2009 13:19:51] José Fontainhas: ora bem as notícias não são brilhantes<br />
[09/06/2009 13:20:11] José Fontainhas: matt e andy não podem mesmo vir<br />
[09/06/2009 13:20:37] José Fontainhas: no que toca a sponsors, a Automattic está disposta a cobrir o que for preciso de $<br />
[09/06/2009 13:21:16] catiakeiko: ok, uma pena, muito mesmo</p></blockquote>
<p>Nessa hora já estava chorando, chorando muito. Quem já me viu chorar sabe o espetáculo, minha mãe diz que parece lágrima de palhaço que sai em esguicho, não pinga. Sorte que ninguém estava vendo, quando o Zé disse prá eu esperar.</p>
<blockquote><p>[09/06/2009 13:23:05] José Fontainhas: citando Matt neste minuto:<br />
[09/06/2009 13:23:11] José Fontainhas: I&#8217;m trying to figure out a way I can go my worry is I&#8217;ll be exhausted there and not able to give a very good talk<br />
[09/06/2009 13:23:33] catiakeiko: hmmm, but it&#8217;s better a bad talk than none :)<br />
[09/06/2009 13:23:46] catiakeiko: I promise we won&#8217;t ask much of him</p></blockquote>
<p>E conversa vai, conversa vem, o Matt disse que se o problema fosse patrocínio, não tinha problema, a Automattic bancava tudo, porque se algum patrocinador saísse pela ausência dele, isso seria um desrespeito com a comunidade! Ah, meu herói, eu sabia, eu sabia!</p>
<blockquote><p>[09/06/2009 13:32:32] José Fontainhas: manda-me os números por mail mais logo<br />
[09/06/2009 13:33:17] José Fontainhas: <strong>isso quer dizer que eu vou fazer uma das apresentações juntamente com o Matt (e o Q&amp;A) e a apresentação do BuddyPress, ok?</strong><br />
[09/06/2009 13:33:39] catiakeiko: <strong>então ele vem?</strong><br />
[09/06/2009 13:33:42] catiakeiko: :)<br />
[09/06/2009 13:33:50] José Fontainhas:<strong> ele vem</strong><br />
[09/06/2009 13:34:04] catiakeiko: ahhhhh, milhões de obrigadas<br />
[09/06/2009 13:34:09] catiakeiko: milhões de obrigadas<br />
[09/06/2009 13:34:11] José Fontainhas: ah não não<br />
[09/06/2009 13:34:13] catiakeiko: milhões<br />
[09/06/2009 13:34:14] José Fontainhas: cervejinha</p></blockquote>
<p><strong>Ele vem, ele vem, ele vem, ele vem, ele vem!!!!</strong> Cervejinha? Todas Zé, todas, todas e mais algumas! Zé, meu santo padroeiro nunca vou conseguir te agradecer o suficiente. A vida toda estarei em dívida com você. Tratei de ligar pro Leo e avisá-lo. Bom agora só falta internet, porque não contei, mas o outro link, aquele de mais de R$5.000,00 também não alcançava a FUNARTE! Acho que ficamos tão aliviados, que depois disso não existia mais problemas. Falei pro Leo que ainda ia continuar tentando encontrar uma saída prá internet, porque a esperança é a última que morre.</p>
<p>Naquela noite acordei, prá variar com insônia, e comecei a procurar como louca no google: link dedicado, ip dedicado, rede wifi, conexão WiMax. Quem procura acha. Encontrei algumas empresas, deixei tudo anotado no meu risque-rabisque prá ligar de manhã. First thing in the morning, liguei para todas, na WirelessTech em particular deixei recado, mas sem muita esperança. Mas eles retornaram e com uma solução: dois links 3G. Não foi aquela maravilha, mas preciso falar aqui muito bem dessa empresa: gente de palavra e de confiança. Bernardo, obrigada pelo profissionalismo!</p>
<p>Bom, e tudo foi se encaminhando para o grande dia, a graninha dos patrocínios caindo na conta e camisetas e papelaria ficando prontas. E agora vai ter que ficar prá uma quarta parte, que estou cansando e tem muito mais aventura prá contar.</p>
<p><em>To be continued&#8230;</em></p>
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</p>
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		<title>O meu WordCamp Brasil &#8211; parte 2</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 03:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
				<category><![CDATA[WordPress]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa é a continuação do post anterior.
O Paulino Michelazzo, figura conhecida no meio do software livre me escreveu um email convidando a comunidade para participar do CMS Brasil, evento que teria a participação do Matt Mullenweg. Ele me pediu para indicar alguém para palestrar e mais alguém para participar de uma mesa redonda com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Essa é a continuação do post anterior</em>.</p>
<p>O Paulino Michelazzo, figura conhecida no meio do software livre me escreveu um email convidando a comunidade para participar do CMS Brasil, evento que teria a participação do Matt Mullenweg. Ele me pediu para indicar alguém para palestrar e mais alguém para participar de uma mesa redonda com o Matt depois da palestra dele. Indiquei o Leo Germani e me ofereci para a mesa redonda.<span id="more-101"></span></p>
<p>A Maya já havia me falado em dezembro que o Matt viria em junho pro Brasil, mas na época ainda não havia nenhuma informação a respeito na internet. Eu já havia comentado com ela, que confirmando a informação, eu organizaria o WordCamp nesse mesmo período para aproveitar a presença do Matt. Comentei com o Paulino a respeito, que se dispôs a nos ajudar no que fosse necessário. O anel voltou para o primeiro plano.</p>
<p>Falei com o Leo, que aceitou o convite para a palestra e que também se empolgou com o WordCamp. Ele ofereceu para fazermos no Hacklab, sede da empresa da qual ele é sócio. No dia 3 de abril fui até lá conhecer o local e trocar idéias a respeito. O local seria perfeito para um encontro pequeno de umas 60 pessoas no máximo, mas achávamos que talvez houvesse mais pessoas, não fazíamos idéia de quantas. Concordamos que o evento deveria se manter simples, ser gratuito, decidimos o dia, cogitamos espaços prováveis, ouvimos opiniões dos outros meninos e resolvemos lançar uma pré-inscrição para podermos ter idéia da quantidade de pessoas interessadas. Dei a mão pro Leo, que foi o meu Sam, com quem dividi o meu fardo, e pulamos de cabeça no WordCamp Brasil.</p>
<p>Daquele dia em diante mergulhei numa correria insana, numa montanha russa de emoções que durou longos dois meses e meio, em que dormi pouco, me preocupei muito, comi muito chocolate, emagreci 4 kilos, mas em que também me fortaleci, aprendi muita coisa e tive minha competência reconhecida por muitos e principalmente por mim mesma.</p>
<p>Depois que saí de lá, o Leo mandou um email pro grupo, iniciando os trabalhos e com o seguinte recado no final:</p>
<blockquote><p>NOTA SOBRE TRABALHO COLABORATIVO: Organizar um evento assim colaborativamente é difícil. Se vc quiser ajudar, não pergunte, faça e ajude.</p></blockquote>
<p>Lançamos o site e abrimos as inscrições. Ingênua decisão, ouça o que eu digo: nunca abra as inscrições de um evento que não tem local definido. Lição aprendida às duras penas. O fato do WordCamp ter sido marcado para um domingo já era obstáculo grande o suficiente para encontrar um local disposto a abrir suas portas (a data, dia 21 de junho foi escolhida em função da participação do Matt no CMS Brasil no sábado). Juntou-se a esse obstáculo a multidão de 300 pessoas que rapidamente se inscreveram pelo site em apenas duas semanas. Encerramos as inscrições e mantivemos uma lista de espera que continuou crescendo na mesma toada. Outra lição: feche o número de participantes em função do local que você tem e não o contrário.</p>
<p>Passado mais de um mês desde minha visita ao HackLab e a um mês e meio do evento e nada de fechar um local e somente com o patrocínio da HostNet. O desespero já estava começando a bater, quando o Guilherme do Xemelê me falou da possibilidade de se fazer na FUNARTE com apoio do MinC. No dia 3 de maio fui a São Paulo resolver assuntos de um freela, tinha uma reunião com o pessoal do CMS Brasil no hotel Jaraguá, prá ver se eles podiam me ajudar. Aproveitei para também ir até a FUNARTE conhecer o espaço e ver se dava para comportar os 300 inscritos. A reunião com o pessoal do CMS Brasil não foi muito animadora, prá dizer a verdade, saí de lá bem arrasada com a bronca que o Paulino me deu: &#8220;Menina, mas como é que você abre inscrição para um evento sem ter um local definido, você é louca?&#8221; Me senti de incompetente para baixo, a última pessoa na face da terra, a maior idiota do planeta. Na Funarte por uma certa falha de comunicação, saí com a impressão que as chances de se fazer lá eram mínimas. Depois de enfrentar o caos que é São Paulo em umas 3 horas no rush, cheguei finalmente em casa, desmontei na cama e chorei muito. Passei um final-de-semana horrível, quem me confortou como sempre foram meus amigos do coração, Vinícius e Heloize. O Vini me dando uma puta força no telefone: &#8220;Catita, mete bronca, você vai achar um lugar, sim, não tem essa não. Não deixa a peteca cair e vamos em frente&#8221;.</p>
<p>Na semana seguinte conversei com o Guilherme e a possibilidade de fazer na FUNARTE foi se confirmando. Nem tudo estava perdido, as negociações com os patrocinadores caminhavam bem. Enquanto isso, ajudada pelo Christiano da Comunidade Ubuntu também mantinha negociação paralela com a BandTec, caso não desse certo na Funarte. Finalmente no dia 15 de maio, a apenas um mês e cinco dias do grande dia, recebemos uma resposta positiva da Funarte, só faltava a gente ir até lá novamente para acertar detalhes. Fomos até lá no dia 18, eu e Leo, conversamos com o Roberto Marti e com a atriz Esther Goes. Tudo lindo, respirei aliviada. Saímos de lá e fomos até o apartamento do Leo todos felizes, escrevemos o post anunciando a novidade. Respondi a BandTec dispensando eles porque tínhamos fechado com a FUNARTE.</p>
<p>Quando tudo parecia estar entrando finalmente nos eixos, fico sabendo que teríamos que pagar à FUNARTE um alguel. &#8220;Como assim, um alguel? Não era para ser um apoio do MinC?&#8221; Era e não era. O valor do aluguel, que não vou divulgar aqui, estava completamente fora dos nossos planos. E voltamos às negociações, intermediada pelo José Murilo, que me apoiou muito nisso tudo. Conseguimos chegar a um valor que se tudo desse certo com os patrocinadores conseguiríamos pagar. Mas no caso de não dar certo, voltamos a negociar com a BandTec. O Maurício Pimentel coordenador da faculdade foi 100%, super compreensivo e aceitou renegociar, mesmo depois de nós os termos dispensando uma vez. Fomos até lá, eu e Leo novamente, numa sexta-feira, dia 22 de maio a menos de um mês do grande dia, conhecer as instalações. Teria que ser uma coisa meio adaptada, na quadra de esportes porque o auditório era pequeno, mas dava prá ser lá. Havia um porém: a internet. Por motivos de segurança, a BandTec não poderia permitir o uso do seu link. Teríamos que pagar um link dedicado. Caríssimo. E também dependíamos da resposta da diretoria, tanto podia ser um sim como um não, somente na semana seguinte.</p>
<p>A menos de um mês do evento, mais um fim-de-semana horrível, de incertezas e crises de choro. Tudo muito complicado e cheio de variantes, se tal patrocinador aceitar pagar x dá prá pagar a Funarte, mas se não fechar tem que ser na Bandtec, mas lá depende se vamos ter ou não um link dedicado, e se a diretoria disser não? E aquele patrocinador mala que quer tudo e não quer pagar nada, dispenso ele? Mas a gente precisa de grana! Minha cabeça girava que nem um pião, não conseguia dormir, tomava um monte de calmante, natureba, é claro, aí não dormia à noite e ficava que nem zumbi de dia. Um pesadelo sem fim. Todas as negociações com patrocinadores estavam nas minhas costas, todas as decisões nas minhas mãos. Eu ia dividindo um pouco com o Leo, ele ia me aconselhando, me ajudando, mas as decisões finais e as conversas eram todas comigo. Eu, que sou um poço de timidez, eu, que odeio negociar, eu, que odeio cobrar, negociando com essa gente que faz disso seu ganha-pão. Depois numa conversa com a Lucia Freitas, fiquei sabendo que saí com fama de dura na queda. Uau! Pode vir quente, minha gente, que eu tô fervendo!</p>
<p>Mais uma semana se passou e nada de definir local, dependia dos diretores da BandTec e da gente conseguir orçamento do link dedicado, e nenhuma empresa passava o maldito orçamento. Até que passou: R$3.400,00 por um link de 2M!!!!!! Pelo menos alguns patrocínios foram fechados, o que me deu mais tranquilidade. Mesmo assim, chegou quinta-feira, dia 28, meu aniversário, nunca passei um aniversário tão xoxo, tão foda como esse. Nem quis bolo nem nada, &#8220;ficaria contente se essa droga de WordCamp sumisse da minha vida agora!&#8221;. Era o que eu pensava. As pessoas me davam parabéns e eu pensava: &#8220;porque?&#8221; E lá fui eu a caminho de mais um final-de-semana de horrores e indecisão.</p>
<p>Finalmente, na segunda-feira o Pimentel me dá uma resposta: não. Rir prá não chorar, é, não dava prá ser na BandTec, mas calma, calma, nem tudo está perdido, &#8220;vamos patrocinar vocês&#8221;. Enfim, vamos prá FUNARTE e seja o que Deus quiser, com mais esse patrocínio vai dar tudo certo. Sim, se não fosse por um detalhe: na Funarte também não tem internet, também teríamos que pagar o link dedicado, só que lá, a empresa com quem tínhamos orçado o link, não possui sinal. Ótimo, vamos procurar outra, ok, só que na outra, o link de 2m custa mais de R$5.000,00. Putz, vamos pedir ajuda prá Automattic. Legal!! &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..cricricricri. Nada da Maya me responder, catso, o que está acontecendo?</p>
<p>Bom nesse meio tempo recebo a &#8220;ótima&#8221; notícia que o Andy Peatling não viria mais. Tá brincando, né? É, o rapaz demorou prá ver o visto e quando foi ver não dava tempo de emitir. Não vou comentar o que penso.</p>
<p>Ok, ok, finalmente, no dia 5 de junho, a duas semanas do grande dia recebo um email da Maya, eeee a Automattic vai patrocinar a gente?</p>
<blockquote><p>Hi Catia,</p>
<p>I hope WordCamp Brazil planning is going well.  If you need anything at all, please let me know.</p>
<p><strong>Unfortunately, Matt won&#8217;t be able to make it since he&#8217;s had something urgent come up.</strong></p>
<p>We really apologize for this and hope it doesn&#8217;t cause too much of a disruption.<br />
<span style="color: #888888;"> </span></p></blockquote>
<p>Confesso, levei uma hora prá aceitar: <strong>Unfortunately, Matt won&#8217;t be able to make it since he&#8217;s had something urgent come up. </strong><strong>Unfortunately, Matt won&#8217;t be able to make it since he&#8217;s had something urgent come up. </strong><strong>Unfortunately, Matt won&#8217;t be able to make it since he&#8217;s had something urgent come up. </strong><strong>Unfortunately, Matt won&#8217;t be able to make it since he&#8217;s had something urgent come up.</strong> Nãããããããããããooooooo, nãããããooooo, não. Não. Parecia um pesadelo. Depois levei mais cinco horas escrevendo um email prá o Matt implorando pelamordedeus, venha! Liguei pros caras do CMS Brasil e eles não sabiam nada a respeito. O que eu faço meu Deus, o que eu faço? Choro, isso choro. Deito na cama e choro, não tá resolvendo, não, não tá. O que eu faço?</p>
<p>Escrevi um email desesperada pro Zé Fontainhas, meu santo padroeiro da comunidade Brasileira, só você pode me salvar agora!!</p>
<p><em>To be continued&#8230;</em></p>
<p class="categorias">
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</p>
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		<title>O meu WordCamp Brasil &#8211; parte 1</title>
		<link>http://www.catiakitahara.com.br/wordpress/o-meu-wordcamp-brasil-parte-1</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2009 20:49:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
				<category><![CDATA[WordPress]]></category>
		<category><![CDATA[latinoware]]></category>
		<category><![CDATA[matt mullenweg]]></category>
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		<description><![CDATA[Aqui vai um (longo, prá não dizer que não avisei) relato ultra pessoal do que foi o WordCamp prá mim, dividido em três partes.
&#8220;Vem ao chat se puderes&#8221; &#8211; mensagem de José Fontainhas. &#8220;Se vires esta mensagem nos próximos 15 minutos, loga-te no gTalk. Vais gostar de ouvir. Se não falamos amanhã&#8221;.
Foi com essa mensagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Aqui vai um (longo, prá não dizer que não avisei) relato ultra pessoal do que foi o WordCamp prá mim, dividido em três partes.</em></p>
<p>&#8220;Vem ao chat se puderes&#8221; &#8211; mensagem de José Fontainhas. &#8220;Se vires esta mensagem nos próximos 15 minutos, loga-te no gTalk. Vais gostar de ouvir. Se não falamos amanhã&#8221;.<span id="more-84"></span></p>
<p>Foi com essa mensagem que tudo começou. Até então tudo o que eu queria era traduzir o WordPress e me livrar da demanda por suporte na comunidade de tradução. Nunca tive pretensões maiores quando comecei a comunidade com o Anderson, ele é testemunha. Disse várias vezes:  &#8220;Essa comunidade é so para tradução e nunca dará suporte&#8221;.</p>
<p>Mas a curiosidade matou o gato, o que será que eu poderia gostar de ouvir? Bom a novidade era que o Matt Mullenweg viria ao Brasil no começo de novembro para o Latinoware e queria que alguém organizasse um encontro com os usuários brasileiros. O alguém escolhido fui eu. A conversa foi intermediada pelo Zé entre eu e a Maya, então assistente do Matt. Por causa desse encontro, entrei em contato com algumas das pessoas mais envolvidas com o desenvolvimento em WordPress hoje em dia no Brasil. O encontro foi ótimo, o Matt se mostrou um cara super acessível e simpático, e uma grande amizade começou entre algumas das pessoas que estiveram presentes. Também tive oportunidade de conversar um pouco com o Matt durante um almoço no dia seguinte ao encontro. Enquanto todos só conversavam com ele sobre códigos, eu, que não entendo muito do assunto, preferi conversar sobre música e outras amenidades. Na hora de ir embora, o Matt me acompanhou até a porta do restaurante e se despediu de mim dizendo: &#8220;See you at WordCamp Brazil!&#8221;</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-98" title="Encontro na Latinoware" src="http://www.catiakitahara.com.br/wp-content/uploads/2009/06/alelopes_02-422x237.jpg" alt="Encontro na Latinoware" width="422" height="237" /></p>
<p>Assim, como quem não quer nada, o Matt me lançou um desafio, me incumbiu uma missão. E como dizer não prá esse menino, que, por trás do rosto mais cândido do mundo, guarda o potencial criador de uma das ferramentas opensource mais popular existente e que mobiliza milhões de pessoas ao redor do mundo? Conhecer o Matt foi impactante, não porque ele seja um cara excepcional, e sim, de certa forma ele é, mas principalmente porque ele é também apenas uma pessoa comum, como eu, como você. O impacto é perceber que somos capazes de coisas extraordinárias quando tomamos a inciativa de fazer algo em conjunto com outras pessoas e compartilhamos o resultado desse trabalho. Isso é o que faz do Matt um cara excepcional.</p>
<p>Enfim, a missão foi lançada e lá fui eu, como o Frodo, carregando o anel. (kkkkkk, coisa mais geek, essa!) a caminho do aeroporto.  A partir desse momento, reconheci que o papel que assumi à frente da comunidade não poderia se restringir às traduções. Mas passada a empolgação provocada pela vinda do Matt, a comunidade voltou ao seu ritmo pasmacento, eu como sempre tentando animar a moçada, dando minhas broncas regulares e generalizadas (e cultivando a minha fama de mandona), e o anel ficou lá meio esquecido, meio em stand by.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-99" title="encontro de WordPress na Campus Party 2009 - foto Daniel Pádua" src="http://www.catiakitahara.com.br/wp-content/uploads/2009/06/_mg_8657-422x281.jpg" alt="encontro de WordPress na Campus Party 2009 - foto Daniel Pádua" width="422" height="281" /></p>
<p>Em dezembro, o Leo Germani, uma das pessoas que convidei para o encontro com Matt na Latinoware, mas que não pode comparecer, nos convidou prá participar da Campus Party. Fizemos um encontro de WordPress lá, que foi bem bacana. Neste encontro algumas iniciativas foram fortalecidas: a transformação do site em portal e a tradução do Codex. Sobre o WordCamp, apenas concordamos que deveria ser feito e mais nada. Voltei para Caraguá, e fui curtir o verão fraco de trabalhos por causa da crise. E assim meu verão foi se prolongando, o anel cada vez mais esquecido, substituído pelas minhas aspirações a surfista, quando no começo de abril, recebo um email do Paulino Michelazzo.</p>
<p><em>To be continued&#8230;</em> (tô com preguiça, uma hora coloco links).</p>
<p class="categorias">
<a class="botao Tips" href="http://www.catiakitahara.com.br/categoria/wordpress" title="Ver todos posts da categoria WordPress"><img alt="" src="/wp-content/themes/meu_site/img/icone_wordpress.png" class="icone" width="27" height="27" /></a>
</p>
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		<title>Vamos</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 23:09:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ei, vamos andar por aí sem destino, a pé pelo meio da rua, olhando as estrelas, ou a lua, com as mãos nos bolsos, cabelos soltos, cabeça prá trás.
Vamos rir e sorrir e se chover, receber a chuva na cara, se ventar sentir o vento roçando as bochechas, se estiver frio, vamos assoprar e ver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ei, vamos andar por aí sem destino, a pé pelo meio da rua, olhando as estrelas, ou a lua, com as mãos nos bolsos, cabelos soltos, cabeça prá trás.</p>
<p>Vamos rir e sorrir e se chover, receber a chuva na cara, se ventar sentir o vento roçando as bochechas, se estiver frio, vamos assoprar e ver o vapor. Se estiver calor, vamos andar descalços e com as roupas leves, vamos!<span id="more-80"></span></p>
<p>Vamos de mãos dadas, vamos sem preocupações, sem pensar em mais nada, apenas vamos, vamos conversar sobre tudo, tudo o que está preso aqui dentro, me conte tudo sobre você, vou contar tudo sobre mim, vamos.</p>
<p>Vamos brindar, com cerveja, com vinho, com água, vamos perder os sentidos, caminhando por essa rua de pedras, de terra. Vamos chegar até o mar e olhar pro horizonte, vamos ver os navios, vamos caminhar na areia dessa praia sem fim, dizem que ela é uma estrada, vamos parar e pegar as conchas, vamos atirar uma concha no mar. Vamos tentar encaixar nossos pés nas pegadas dos outros. Vamos fazer barulho com os pés na areia fininha, branquinha. Vamos apostar uma corrida, um dois três, vamos.</p>
<p>Vamos, me conta porque você gosta de frio, eu te conto porque gosto de calor. Vamos parar e dançar um pouco, adoro sambar, vamos cantar bem alto até a gargantar arder aquela música dos beatles, ou aquela música de quando éramos crianças, vamos pular e chacoalhar a cabeça, os cabelos. Vamos desembaraçar meu cabelo, eu sento e você paciente desmancha os nós e vai me contando sua história, eu conto a minha. Conto quantos tios e tias eu tenho, e primos, tenho muitos, sabia? Conto histórias da família, conto meus livros preferidos, li muitos, leio muitos, amos meus livros, meu livro preferido? Adoro o Tempo e o Vento, gosto do Miguelin, ah o Miguelin! Grande sertão, lígia, o gato malhado e a andorinha sinhá, tão triste, amor impossível. Minha música? águas de março, lembrei do meu avô agora, das suas mãos grandes e do chocolate de moeda da lacta que ele me deu. Vinha num tubinho.</p>
<p>Vamos, estou ouvindo uma cantora da Islândia, que nem a Bjork, ela também tem aquela voz de criança, mas não se esgoela que nem ela. Chama emiliana torrini, tem umas letras muito bonitas, tão meigas. Me ajudaram nesse sansara que está minha vida. &#8220;hear the leaves applaud the wind&#8221;, tão lindo.</p>
<p>Vamos estou tão cansada, me dói ver meu pai tremer, vamos, vamos, vamos, vamos. Vamos&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<p class="categorias">
<a class="botao Tips" href="http://www.catiakitahara.com.br/categoria/et-coetera" title="Ver todos posts da categoria Et coetera"><img alt="" src="/wp-content/themes/meu_site/img/icone_et-coetera.png" class="icone" width="27" height="27" /></a>
</p>
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		<title>A Entrada dos Palmitos</title>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 01:18:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cátia Kitahara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Et coetera]]></category>
		<category><![CDATA[congada]]></category>
		<category><![CDATA[entrada dos palmitos]]></category>
		<category><![CDATA[festa do divino]]></category>
		<category><![CDATA[marujada]]></category>
		<category><![CDATA[moçambique]]></category>
		<category><![CDATA[mogi das cruzes]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma Festa do Divino de Mogi das Cruzes se aproxima. Essa festa faz parte da minha vida desde criança. Fiquei pensando aqui comigo que seria um bom mote para desenvolver uma crônica, ou um conto, ou até mesmo uma história de ficção para crianças, o meu sonhado livrinho ilustrado. Segue então, meu primeiro esboço, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Mais uma <a href="http://www.festadodivino.org.br" target="_blank">Festa do Divino de Mogi das Cruzes</a> se aproxima<a href="http://www.seuestrelo.art.br/" target="_blank"></a>. Essa festa faz parte da minha vida desde criança. Fiquei pensando aqui comigo que seria um bom mote para desenvolver uma crônica, ou um conto, ou até mesmo uma história de ficção para crianças, o meu sonhado livrinho ilustrado. Segue então, meu primeiro esboço, em forma de crônica, falando especialmente sobre a </em><em> <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=13" target="_blank">Entrada dos Palmitos</a></em><em>.</em><span id="more-61"></span></p>
<h3>Entrada dos Palmitos</h3>
<p>- Filha, vai ver se eles já estão vindo!</p>
<p>- Não vó, tão lá em cima ainda.</p>
<p>- Ih, estão atrasados. Ano passado, a essa hora já estavam aqui em frente. Mas então pega essa toalhinha vermelha e coloca no murinho. Depois atravessa a rua e pede prá D. Dina se ela tem umas flores vermelhas prá pôr no vasinho.</p>
<p>- Tá bom, vó.</p>
<p>Era assim. Sábado de manhã, véspera de <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=3" target="_blank">Pentecostes</a>, na casa da minha avó. Um corre-corre e um vai-e-vem da varanda prá dentro da casa, enfeitando a frente prá passagem do cortejo da Entrada dos Palmitos. A Tia Mi montando um altarzinho, ia orquestrando a sobrinhada, que corria pegar ora uma tesoura, ora uma cola, um pedaço de fita crepe, fitas coloridas nas <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=7#cores" target="_blank">cores dos sete dons</a>. Tudo muito vermelho com dourado e prata, as cores do Divino. Minha avó, velhinha, toda bondade e doçura acompanhando os preparativos com o olhar aprovador.</p>
<p>- Agora pega a <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=7#pomba" target="_self">imagem do Divino</a> com cuidado.</p>
<p>- Isso! Pronto! Que lindo que ficou!</p>
<p>Os meus tios e tias vinham acompanhar a Entrada da casa de minha avó.</p>
<p>- Estou com a casa cheia &#8211; Dizia ela. Também pudera, onze filhos, mais genros, noras e vinte e nove netos. Sem falar nos &#8220;agregados&#8221;, primos de todo lado. Nem todos compareciam, mas só uma parte desse povo todo já era suficiente para encher a casa.</p>
<p>- Mãe, a quermesse ontem estava fervendo. &#8211; conta uma das minhas tias, que chegava esbaforida da rua.</p>
<p>- Acabei de passar no <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=7#imperio" target="_blank">Império</a>, está lindo. A sua bandeira está lá, Mi, cheia de nozinhos nas fitas.</p>
<p>- Você foi na <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=11" target="_blank">alvorada</a>? &#8211; pergunta outra tia.</p>
<p>- Não, mas ontem fui na <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=11" target="_blank">passeata</a>. Fomos na casa daquela senhora doente, coitada. Rezamos prá saúde dela. As filhas serviram cada bolo gostoso! E a <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=16" target="_blank">Folia do Divino</a>, tocou que foi uma beleza.</p>
<p>- Ah, os violeiros.</p>
<p>Som de fogos pipocando ao longe. Já se ouvem os sons das patas de cavalo batendo no paralelepípedo, o estalar de chicotes e o barulho de carroças e charretes. É o povo que vem das redondezas, da zona rural da região, para participar da Entrada.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-64" title="Povo da zona rural -foto Diego Padgurschi" src="http://www.catiakitahara.com.br/wp-content/uploads/2008/10/divino_05.jpg" alt="" width="422" height="281" /></p>
<p>O sol, como sempre, presente, num céu azulão de maio, com poucas nuvens, irradiando um calorzinho bom nesse começo de inverno. Ele não falha, nunca vi Entrada dos Palmitos sem sol, pode chover na <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=14" target="_blank">procissão</a>, mas na Entrada, não. Parece que ele sabe e também quer participar da festa.</p>
<p>O burburinho já se sente pela cidade, acompanhado do cheiro de curral que se espalha pelas ruas onde os cavaleiros passaram. O trânsito interrompido nas ruas principais provoca um pequeno congestionamento, contrastando com o clima de cidade do interior que se instala no ar. As ruas já estão enfeitadas com mudas de palmitos. Pinceladas de vermelho já se nota, aqui e ali, nas vestimentas, como o lenço no pescoço daquele senhor que vai correndo, segurando seu chapéu de feltro, decerto atrasado pro desfile.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-65" title="Concentração da Entrada dos Palmitos - foto Diego Padgurschi" src="http://www.catiakitahara.com.br/wp-content/uploads/2008/10/divino_03.jpg" alt="" width="290" height="446" /></p>
<p>O cortejo sempre se concentra em frente à capela de Santa Cruz de onde sai, descendo a rua Dr. Ricardo Vilela, a rua da casa de minha avó. O som surdo das batucadas dos grupos folclóricos vem num crescendo, criando uma expectativa no ar. Meu coraçãozinho ia acelerando de excitação, num misto de medo e fascinação, batendo no mesmo compasso dos batuques. Duncudugudum, duncudugudum, duncudugudum. O barulho agudo e monótono das rodas dos carros de bois se aproximava, nhéééééééé.</p>
<p>- Vó, vem prá cá, eles estão chegando! &#8211; A gente gritava prá dentro da casa. Ela vinha sempre enxugando as mãos no avental, sinal de que estava na cozinha preparando alguma coisa gostosa prá gente.</p>
<p>- Menina, desce desse muro. Se você cai, quero ver só. &#8211; Minha tia sempre ralhando comigo.</p>
<p>- Mas a Cíntia subiu, eu também quero ver.</p>
<p>- Sua irmã é maior que você, me obedece e desce já daí. Eu vou chamar sua mãe.</p>
<p>- Vó, deixa eu ficar aqui também?</p>
<p>Ela sorria e ficava atrás de mim, me protegendo.</p>
<p>- Na hora em que os cavalos e os bois passam você fica com medo e foge, bobona. &#8211; Minha irmã me provocando. A netaiada disputava os melhores lugares na mureta prá poder ver melhor o desfile. Os mais velhos se espalhavam pela varanda.</p>
<p>Um cavaleiro para em nossa frente e toca o berrante, todo contente por ter uma oportunidade de se exibir. O povo aplaude. Minha avó manda um beijo, meu avô faz troça com ela: &#8220;O Gerarda, o moço deve tá achando: ô véia assanhada!&#8221; A gente ria, que felicidade, que festa. As crianças sempre tapando os ouvidos com as mãozinhas a cada estouro de mais um fogo de artifício. E lá vinham os bois, os carros de bois, e carroças, e charretes, todos enfeitados com palminhas e flores vermelhas.</p>
<p>- Pega um copo e enche a jarra com água prá distribuir pros moços que estão tocando os bois. &#8211; Minha avó, sempre preocupada com os outros.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-63" title="Congada de Sta. Efigênia" src="http://www.catiakitahara.com.br/wp-content/uploads/2008/10/divino_02.jpg" alt="" width="348" height="520" /></p>
<p>Som de sanfonas e batuques, são os grupos folclóricos, com sua animação e colorido. Marujada de Nossa Senhora do Rosário, azul, Congada de São Benedito, branco, detalhes azul e vermelho, Congada de Santa Efigênia, verde, Moçambique São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, amarelo e vermelho. Fico com inveja do molequinho com seu chapéu de marujo, com fitas coloridas dançando a congada</p>
<p>- Amanhã você sai de anjinho, e no fim você ganha o cartucho. &#8211; Me lembra minha avó. Domingo é o dia da procissão. As crianças que saíam de anjinho ganhavam um cartucho, um cone de papelão enfeitado com franja de papel vermelho e com doces dentro.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-66" title="Grupo Folclórico - foto Diego Padgurschi" src="http://www.catiakitahara.com.br/wp-content/uploads/2008/10/divino_04.jpg" alt="" width="422" height="279" /></p>
<p>Meus tios passam na correria ajudando na organização. Mas páram prá tomar a benção dos pais.</p>
<p>-A bença, pai, a bença mãe.</p>
<p>- Deus te abençoe, meu filho.</p>
<p>-Tão gostando?</p>
<p>-Tá bonito, meu filho. Muito bonito.</p>
<p>-Mas aquela <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=18" target="_blank">cavalhada</a> de Guararema não vem mais. Meeerrrrrrrda!</p>
<p>-Não faz mal, meu filho, tá bom assim.</p>
<p>Em seguida vinha a Banda Santa Cecília, na frente dos guardinhas do exército. Depois o menino vestido de <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=8#imperador" target="_blank">Imperador do Divino</a> à frente dos <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=8#festeiros" target="_blank">festeiros</a>, <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=8#capitao" target="_blank">capitães-do-mastro</a> e as autoridades. E como sempre, atrás, o povão, a massa.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-62" title="Devota do Divino - foto Diego Padgurschi" src="http://www.catiakitahara.com.br/wp-content/uploads/2008/10/divino_01.jpg" alt="" width="422" height="279" /></p>
<p>- Assim como os treis reis <em>magros</em>&#8230;- As rezadeiras e os fiéis com suas bandeiras passam cantando a Bandeira do Divino. Minha avó se emociona e já começa a chorar.</p>
<p>-Já tá chorando, mamãe? -pergunta uma das tias.</p>
<p>Ela assenava que sim com a cabeça limpando o nariz com um lenço, e virava as mãos, como a dizer: &#8220;o que que eu posso fazer?&#8221; Me emociono também e tento disfarçar.</p>
<p>- Bom deixa eu ir, que ainda vou ajudar a servir o <a href="http://www.festadodivino.org.br/site/?page_id=19" target="_blank">afogadão</a>. O povão já tá fazendo fila. Também,  de graça! &#8211; E lá se ia outra tia.</p>
<p>- Vai, filha, vai com Deus e o Divino.</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
<p>Hoje meus avós já morreram e isso tudo ficou prá trás. A casa foi vendida e é uma escolinha infantil. A Festa cresceu muito e já não é mais o que era antes. O podres poderes sempre estragam tudo o que tocam. E eu nem acredito mais em Deus ou no Divino. Quando é dia de Entrada dos Palmitos a gente, da família sempre comparece, mas fica meio perdida, espalhada ao longo do cortejo, sem uma referência. E quando eu ouço o som das batucadas dos grupos folclóricos, ou vejo o povo simples, sofredor, mas cheio de fé, rezando, cantando, não consigo evitar. Dá um aperto no coração, os olhos ficam marejados. O que que eu posso fazer, vó?</p>
<p class="categorias">
<a class="botao Tips" href="http://www.catiakitahara.com.br/categoria/et-coetera" title="Ver todos posts da categoria Et coetera"><img alt="" src="/wp-content/themes/meu_site/img/icone_et-coetera.png" class="icone" width="27" height="27" /></a>
</p>
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