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Porque sou a favor da legalização do aborto

Hoje descobri que o dia do meu aniversário, dia 28 de maio é também o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher. Haverá o Ato em defesa das vidas das mulheres: Contra a CPI do Aborto! na praça João Mendes, Centro de São Paulo capital, às 14h. Por este motivo, acho que seria uma boa oportunidade para explicar porque sou a favor da legalização do aborto.

“Eu vim para que todos tenham vida, que todos tenham vida plenamente” – Jo 10,10

Sou uma pessoa de forte formação católica. Apesar de não mais acreditar na existência de Deus e de não ser mais uma católica, grande parte dos meus valores vieram desta formação cristã. Os valores que eu respeito são valores cristãos e também valores humanistas: amor ao próximo, não violência, caridade, bondade, perdão, compaixão e respeito à vida.

Este último valor para mim é o maior de todos: o respeito à vida, principalmente o respeito à vida humana. O respeito à vida é o respeito à vida em sua plenitude. Para uma vida ser plena, ela necessita minimamente de condições básicas de sobrevivência, mas também necessita de uma condição tão importante quanto as básicas: dignidade. A dignidade de uma vida reflete a capacidade dela ser respeitada como uma individualidade soberana, desde o seu início até o seu fim. Para uma vida ser plena e digna é preciso que todos seus direitos sejam respeitados e válidos e que o princípio de igualdade seja reconhecido.

Isto colocado, quero afirmar que a legalização do aborto, diferentemente do que muitos querem fazer crer, não vai contra o respeito à vida humana, mas ao seu favor. Para provar esta afirmação basta ler as estatísticas relativas ao aborto clandestino e mortes maternas. O aborto é a terceira causa de mortes maternas no Brasil. Neste contexto é importante que as pessoas entendam corretamente o que é aborto. De acordo com a Organização Mundial da Saúde é considerado aborto o produto da interrupção de uma gravidez quando ocorre até a 22 (vigésima segunda) semana completa de gestação, 154 dias, e com produto da concepção pesando até 500gr. Depois deste período, é considerado parto prematuro

“A César o que é de César” – Mc 12, 13-17

A legalização do aborto e o aborto em si não são a mesma coisa. A legalização do aborto é reconhecer o direito primordial e soberano da mulher em decidir uma questão que se refere ao seu próprio corpo. Apesar de ser a favor da legalização do aborto, em grande parte dos casos eu seria contra a sua realização, mas nunca deixaria de respeitar o direito da mulher tomar a decisão final e nem me precipitaria em ter uma posição inflexível sobre um assunto tão delicado e que envolve tantas questões e fatores. Esta é uma decisão pessoal, que não cabe a ninguém mais, além da própria mulher, seja governo, partidos ou muito menos ainda religiões. Vivemos em um estado laico, somos livres para professar ou não professar fé no deus que quisermos, portanto, não há religião que possa por direito legislar sobre este tema. Cabe à mulher decidir se quer levar uma gravidez a cabo e ainda se deseja ser mãe. Cabe ao governo proporcionar condições em que a gravidez não ocorra quando não planejada, através de educação sexual, planejamento familiar. Cabe ao governo proporcionar segurança para as mulheres e reprimir a violência contra as mulheres, para que não ocorram estupros e gravidez decorrente de estupros. Cabe ao governo garantir acesso à saúde para a mulher nos casos extremos.

A legalização do aborto também não significa que qualquer aborto será legal, a defesa da legalização do aborto pelas feministas não é  indiscriminada. Ela baseia-se na proposta de projeto de lei que legaliza o aborto no Brasil, resultante do trabalho da Comissão Tripartite, elaborado em 2005, sob coordenação da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM). Esta Comissão foi instalada pelo Governo Federal para responder à deliberação da I Conferência Nacional de Políticas para Mulheres (CNPM), deliberação esta que foi reafirmada na II CNPM, eventos que juntos reuniram mais de 200 mil mulheres nos anos de 2004 e 2007.

De acordo com esta proposta, o aborto será legal se realizado sempre por livre decisão da mulher e nas seguintes condições:

  • realizado até a 12ª semana de gestação (quando o feto ainda não possui atividade cerebral);
  • realizado até a 20ª semana de gravidez, quando a gravidez decorre de violência sexual;
  • realizado a qualquer momento, em casos de grave risco para a vida da mulher gestante.

A legalização do aborto é a prioridade da luta feminista e neste ano de eleições nós mulheres devemos estar atentas sobre o posicionamento dos nossos candidatos a respeito desta questão. Dilma Roussef já declarou em entrevista a Isto é que aborto é questão de saúde pública, com uma leve tendência para a legalização. Porém no site dela não encontramos nada a respeito, além da íntegra da entrevista para a Isto é. Marina Silva pronunciou em entrevista à TPM que é pessoalmente contra e que acha que deve ser realizado um plebiscito. José Serra não se posiciona a respeito, em entrevista ao programa CQC apenas disse o óbvio: que o aborto é uma coisa lamentável, triste.

Antes de formar sua opinião a respeito, recomendo que leia e se informe sobre o assunto, que pela gravidade não pode ser tratado com a leviandade de discussões sobre novelas ou futebol.

Leituras recomendadas:

20 Anos de Pesquisa sobre o Aborto no Brasil – Ministério da Saúde (formato pdf)

Criminalização é a solução do problema do aborto no país?

Porque defendemos a legalização do aborto

Pela Vida das Mulheres, Legalizar o Aborto no Brasil!

Norma técnica humaniza atendimento às mulheres com complicações de abortamento

Aborto ilegal é maior causa de morte materna em cidades pernambucanas

Aborto é a terceira causa de morte materna no Brasil

Facts on Abortion and Unintended Pregnancy in Latin America and the Caribbean( formato pdf em inglês)

Filme recomendado:

O Aborto dos Outros – primeira parte do documentário no youtube

26 comentários | Comente

  • 14/05/2010 - Alessandra disse:

    Muito bom o post, Cátia! Fundamental o teu alerta de que temos de buscar o conjunto informação e, a partir daí, nos manifestar cada vez mais e mais em todos os espaços que temos, do blog à mesa do bar. Essa é a única maneira de enfrentar o tal do patriarcado, que há séculos vem impondo com violência (não só física, mas psicológica) a idéia de que as mulheres são objetos dos homens e do sistema, para cuidar do homem e continuar reproduzindo (homens de preferência), enfim, impor a crença de que essa é vida ideal para todas as mulheres . Os grandes meios de comunicação, as elites e as igrejas têm todo espaço para impor esse pensamento absurdo sem restrição e sem dar chance para outra posições se manifestarem
    . O patriarcado funciona através de dois princípios: a noção de que as mulheres são propriedade dos homens, por isso sempre disponíveis a esses, e a divisão das mulheres em duas categorias: “santas” e “putas” (vide essa novela ultrajante do Manuel Carlos, arauto moderno do patriarcado…) Como parte desse sistema, a violência é a punição para aquelas que não se enquadram no papel da “santa”: boa mãe e esposa. Por exemplo, é comum que os homens justifiquem que agrediram, verbal ou fisicamente, a suas esposas porque a comida não estava pronta ou porque a roupa que queriam vestir não estava limpa. Também é um castigo para aquelas que são consideradas “putas” e os agressores e a sociedade justificam a agressão dizendo que a mulher estava caminhando sozinha de noite, ou porque são lésbicas e devem ser ensinadas a ser heterossexuais, ou porque a roupa que estavam usando não era decente. Se as mulheres não querem ter filhos então, aí são tachadas de louca.
    Mas o bom é saber que as mulheres não aceitam passivamente essa situação. Demos grandes avanços e avançamos cada vez mais em nossa auto-organização para construir uma sociedade que seja de fato justa, que tenha de fato igualdade. E conquistar a legalização do direito ao aborto, ou seja, conquistar o direito de decidir sobre seu próprio corpo é um grande passo para todas as mulheres!

  • 21/05/2010 - Antonio disse:

    Eu voltei recentemente ao Brasil depois de 13 anos na Inglaterra e eu estou absolutamente chocado que esse tipo de debate ainda se faz necessário aqui. Aborto é um direito conquistado pela mulheres, ponto final. Ninguém tem o direito de forçar uma mulher a uma gravidez indesejada.

  • 21/05/2010 - Cátia disse:

    Pois é, Antonio,
    Infelizmente é neste pé que estão as coisas por aqui. E agora ainda por cima o direito ao aborto no caso de estupro, que é lei desde 1940 ou aborto terapêutico (quando coloca a vida da mãe em risco), os únicos legais no Brasil estão ameaçados pelo Projeto de Lei nº 478/07, proposto pelos deputados Luiz Bassuma (PT-BA, atualmente no PV) e Miguel Martini (PHS-MG), que dispõe sobre a proteção do nascituro (https://gestaosepm.serpro.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2010/05/direito-ao-aborto-em-caso-de-estupro-esta-ameacado). É isso, Marina Silva, esta belezura de candidata pode levar ao governo esta espécie de gente. Não voto mais nela mesmo!

  • 21/06/2010 - nomeRicardo de Campos Ferraz disse:

    Oi Cátia! Pelo repasse da Amair pude ler dois de seus pensamentos, a meu ver tão distantes um do outro. O primeiro, emocionante, a respeito dos natais de sua infãncia, me conduziram a forte enlevo de emoções. Parece que o tempo e a “nova ordem” espalhada pelo mundo tirou de nós alguns pedaços significativos para a condição de seres humanos. Por isso mesmo é que entendo que seu segundo pensamento – a respeito do aborto – também seja fruto de toda essa “nova ordem”, como disse, espalhada pelo mundo. A religião católica não “legisla” nada a respeito do procedimento humano. Ela, como religião, apenas cumpre o papel que o próprio termo de origem latina lhe confere, qual seja o de “ligar” (religare, do latim), colocando assim o homem, ainda que influenciado pelo seu livre arbitrio, em condições de se “entender” com Deus. Por favor, não se ofenda com minhas palavras. Eu tenho voce em conta alta, como pessoa esclarecida. Se faço esta contestação é pelo simples fato de ser um cara “quadrado” que aceita o princípio de que a “nossa” religião é hoje, sem dúvida, a mais difícil de ser seguida em seus preceitos interpretativos da vontade divina. Sou adepto dos princípios do “Roma locuta, causa Finita”, e de que , o Seguir o Cristo envolve o carregar da cruz. Paz e bem. Ricardo.

  • 11/07/2010 - marcia disse:

    bastante incoerente o que você escreveu….
    se você pesquizar ou mesmo perguntar a um médico ou enfermeiro quando começa a vida humana a única duvida que resta é se começa logo na fecundação ou na formação do SNC, se você não sabe o que é: Sistema Nervoso Central, o que se dá logo nas primeiras semanas, mas para muitos especialistas em embriologia é na fecundaçao mesmo. com base nisto pergunto: porque você(mulher) tem mais direito a seu conforto do que uma criança de ter vida, de ser gente??? e se eu quizer matar seu filho mais velho??? eu tambem posso né!! vai que eu ache ele feio ou ele tenha a perna torta ou ele tenha visto um homem me estrupar e não tenha feito nada, porque na verdade não podia!! a diferença é só a idade e a estrutura, porque ambos são seus filhos, e são pessoas…
    “porque você mulher formada tem mais direitos do que eu, um bebe em formação?” perguntaria a criança!
    se você quer saber mais dados cientificos, indico que procure livros de embriologia ou mesmo um professor de embriologia, nem precisas ser phd…
    e so pra adiantar:
    “O que define um ser humano é o fato de ser membro da nossa espécie. Assim, quer seja extremamente jovem (um embrião), quer seja mais idoso, ele não muda de uma espécie para outra. Ele é da nossa estirpe. Isto é uma definição. Diria, muito precisamente, que tenho o mesmo respeito à pessoa humana, qualquer que seja o número de quilos que pese, ou o grau de diferenciação das células.” [03]
    quem diz isso é o Dr. Jérôme Lejeune, da Universidade René Descartes, em Paris, pai da genética moderna e descobridor da Síndrome de Down

    pense e reveja esta sua posição,

  • 12/08/2010 - Daniela Vega disse:

    parabéns, muito bem falado !

  • 16/08/2010 - Cris Aquino disse:

    Oi Cátia,
    Parabéns pelo artigo.
    Quando muito jovem engravidei e no desespero de uma relação com um homem casado 11 anos mais velho que eu, pela minha formação altamente rígida com base enraizada no catolismo, não cogitava destruir o casamento daquele homem. Com a ajuda de uma amiga influente um ginecologista interrompeu a gravidez. Porém, esse mesmo médico começou a me seguir, como se eu devesse alguma coisa a ele. Eu tinha 18 anos e ele dono de clínica conceituada, acima de qualquer suspeita. Se dizia encantado por mim. Mas eu não sentia o mesmo, nem se quer tinha cabeça para me envolver com ninguém naquele momento. Pois bem, certo dia, ele chegou no meu trabalho a minha chefe que era a amiga em comum, autorizou que ele me levasse para almoçar, como ele havia pedido a ela. Me levou para um motel, me violentou e dessa única vez eu engravidei novamente, e ai ele mesmo me levou para uma clínica que em questão de segundos resolveu. Isso foi e ainda é um grande pesadelo, porque INFELIZMENTE VIVEMOS NUM PAIS HIPÓCRITA, MACHISTA E QUE FINGE NÃO VER OS ABSURDOS DAS BASES RELIGIOSAS, PRINCIPALMENTE A IGREJA CATÓLICA. Frequento a igreja e tento de todas as formas resgatar a credibilidade nos seus integrantes, mas quanto mais eu me aproximo, mais podridão eu vejo. Imagine o absurdo do arcebisbo de Olinda e Recife no caso da menina de 10 anos de idade violentada pelo pai que engravidou e ele escomungou os médicos que praticaram o aborto com autorização da lei.
    Hoje, com 43 anos, terapia, formação superior, títulos….Pensei que essa página era virada, que estava no caminho da sabedoria. Que era uma mãe orientadora, que essa página chamada aborto, só aconteceu comigo por falta de orientação. Mas essa história voltou, minha filha 18 anos repetiu a mesma história, gravidez indesejada da primeira vez. Acabando de passar no vestibular, namorado não era nenhum modelo de pai/homem….e ai o meu mundo caiu. Entrei num processo depressivo, até porque eu como mãe quando soube, procurei ser diferente da minha mãe, pensei exclusivamente na saúde e na vida da minha filha, eles (ela e rapaz) já tinham iniciado o procedimento e com receio de coisa pior encaminhei para médicos com receio de um problema maior. Tudo foi e ainda esta sendo muito sofrido, sobretudo por causa do preconceito, esse nos mata aos poucos, ele é TERRÍVEL.
    Eu tenho certeza que se os homens engravidassem o aborto seria legalizado a muito tempo. Quem domina os poderes, padres, bispos, parlamentares, pastores eles são a maioria dominante. Inclusive hoje conheço histórias reais de padres que queriam que suas amantes abortassem, algumas fugiam para longe para poder ter o filho quando desejavam.
    Fiz questão de contar um pouco da minha historia, para sair um pouco do ponto de vista, para o real.
    Concordo com a liberação nas condições previstas pelos direitos a liberdade da mulher.

  • 16/08/2010 - Cátia disse:

    Márcia,
    Quando inicia a vida humana, para mim, não é apenas uma mera questão científica, eu sou webdesigner, não sou cientista, não vou e nem quero entrar no mérito desta questão pois não é minha expertise. Mas eu sou humana e entendo que uma pessoa só está viva de verdade se ela tiver dignidade, se ela tiver vida plena. Não estou também defendendo aqui que os abortos sejam feitos indiscriminadamente, mas que a mulher tenha o direito de decidir por ela mesma, baseada nos seus valores que ela infere do mundo em que ela vive e do que ensinaram para ela, e não baseada no que uma religião ou um estado impõe como verdade. Se você é católica ou cristã, você deve acreditar no livre arbítrio, não? Pois Jesus acreditava, e ele disse: “quem tem ouvidos ouça”, ou seja, você é livre para decidir se você aceita o que Ele diz ou não. Se Jesus, que prá os crentes é o Senhor e se Ele mesmo nos deu a liberdade para segui-Lo ou não, porque você, ou o estado ou quem quer que seja quer decidir isto por mim? Não acho que o dilema que você colocou seja fácil de decidir, e nem que a vida da mãe deve prevalecer sobre a vida do filho, o que eu defendo é que a mãe e só ela tem o direito de decidir sobre isso. Nenhuma das duas vidas vale mais, nem a da mãe e nem a do filho. Não cabe a mim e nem a você decidir, mas apenas à mãe. Você sabe alguma coisa sobre compaixão? Você já se colocou no lugar dessa mãe? Dessa mulher? Você acha que o aborto é uma decisão simples? Você acha que uma mulher decide fazer um aborto, ela não pensa na vida que essa criança poderia ter? Você acha que o governo deveria obrigar essa mulher a ter um filho que ela não quer? E se for o contrário, e se o governo impusesse o aborto? Você gostaria? Você não acharia que não é papel do governo decidir isso para você? Abra seu coração e pense na questão com compaixão, pense na vida da mulher e da criança, esqueça políticas, esqueça igrejas, esqueça religiões, pense apenas nestas duas pessoas, pense apenas no sofrimento destas duas pessoas, pense apenas o quão difícil é esta situação, pense apenas o quanto a mulher deverá carregar prá vida o peso e a conseqüência da sua decisão. Pense se fosse você, sua irmã, sua mãe, sua filha, pense, se coloque no lugar. Não pense numa solução simplista. Não há. A vida é muito mais complexa que uma lei.

  • 24/08/2010 - AGNES disse:

    EXISTEM MUITOS MÉTODOS PARA EVITAR UMA GRAVIDEZ, ACHO INCRÍVEL MULHERES QUE ENGRAVIDAM POR PURA IRRESPONSABILIDADE E DEPOIS
    QUEREM FAZER UM ABORTO COMO SE FOSSE ALGO SIMPLES, COMO SE ISSO NÃO FOSSE DEIXAR SEQUELAS, ABORTO É UM CRIME, MATAR UMA VIDA É CRIME, AINDA MAIS QUANDO SE TRATA DE UM SER INDEFESESO, QUE NÃO TEM CULPA DE NADA, QUE NÃO TEM CULPA DE TER PAIS QUE NÃO O – AMAM.

  • 01/09/2010 - Cátia disse:

    Agnes,

    Este é apenas um caso e nenhum método anticoncepcional é 100% eficaz.. E você está generalizando e julgando que todas as mulheres que optam por um aborto são irresponsáveis. A vida é muito mais complexa, e há milhões de situações que nós não temos controle que levam uma mulher a considerar um aborto.
    Outra coisa, estamos discutindo opiniões e não há necessidade de usar maiúsculas para ser “ouvido”. As maiúsculas não vão tornar sua opinião mais verdade, porque isso não existe.

  • 01/09/2010 - Cátia disse:

    Ah, Cris Aquino,

    Fiquei muito emocionada com seu depoimento. Acho muito importante que as pessoas conheçam os casos verídicos para que elas entendam em quais situações uma mulher decide abortar.
    Há uma estigmatização e uma mensagem mentirosa de que as mulheres estão cometendo um crime, quando na verdade elas são vítimas de crimes.

  • 08/09/2010 - nomegoretti disse:

    Discordo de seu artigo, embora respeite sua opinião. Vejo que és muito contraditória nos valores que como vc disse foi formada. Defender a vida, não significa que devo tomar uma decisão pensando no bem estar de um ser, ou como vc disse, em outras palavras ninguém deveria vir ao mundo se não tiver condições para ter uma vida digna. Pergunto e quem pensa por aquele ser humano, que a OMS declarou ser um feto porque só tem 22 semanas, e não um ser vivo, que merece ser respeitado e ter os seus direitos garantidos. Estranho, quando alguém fica grávida, damos os parabéns, porque espera um filho, deveriamos dizer ainda não és mãe, o que vc tem aí não é gente. É o que, mesmo? Vc usou uma frase em forma deturpada, daí a César o que é de César. O feto que está dentro de um útero pertence a quem? A mulher, voce dirá! E os direitos dele tb? Então os direitos das crianças estão errados? O pai que abusa tb teria direito de fazê-lo,ou a mãe , quando abusa, segundo sua teoria, já que pertence a ela(e) a cça, a desculpe, agora q /ele não tem 22 semanas, mas tem braços, pernas, geme, não pode ser assim. Deve-se ficar com pena. A nossa compaixão só deve ocorrer pelo que vemos? o que está longe dos nossos olhos, ouvidos, ou que a OMS declarou como” VERDADE”, deve-se aceitar e ponto final. AH! O resto da frase é : E a Deus o que é de Deus> Mas vc não crê mais Nele, que pena! ELE CRÊ EM VOCE. Tudo bem, um dia vc saberá se Ele existe ou não, só espero que não seja tarde demais. Interessante como esses valores cristãos se fossem vivenciados, nos faria melhores, mas infelizmente só cremos naquilo que nos beneficia, que nos agrada, se for o contrário, descartamos.

  • 10/09/2010 - nomeGILBERTO disse:

    Se o aborto ocorresse, de fato, somente nas condições descritas por vc, sim, eu seria a favor. Entretanto, sabemos que além destas condições (justas) existem aquelas situações irresponsáveis, seja por mero esquecimento ou descuido, ou por pura prática indiscriminada de uma vida sexual irresponsável, pois além da gravidez indesejada, existem as DST’s. Por outro lado, concordo que muitas mortes de mulhers ocorrem pela prática de abortos clandestinos. Se fosse legalizado, haveria melhores condições para a realização de um aborto com todos os cuidados e tecnicas da medicina moderna. Então, queria Cátia, não é fácil decir ser contra ou a favor, optar pela vida de um indefeso (embrião ou feto ou óvulo) ou pela mulher. Pergunto: Por quem optar? Que merece prioridade? Com certeza, esse debate não acaba por aqui! obs: espero sua resposta, ok.

  • 18/09/2010 - Cátia disse:

    @nomegoretti, mas se ELE CRÊ EM MIM, então eu tenho razão, certo? :P

  • 18/09/2010 - Cátia disse:

    Gilberto,
    Uma coisa que ninguém aqui até agora entendeu, é que não estou defendendo o aborto em si, mas o direito de fazê-lo. Como disse, há várias situações em que eu pessoalmente seria contra o aborto, mas quem sou eu ou você para decidir que uma mulher deve carregar um filho indesejado por conta de sua má conduta? No caso de uma pessoa irresponsável ficar grávida, você acha que ela seria “corrigida” tendo um filho indesejado? Ter um filho não é uma punição, temos filhos porque queremos, porque amamos, não porque uma lei nos obriga a tê-los. O que cada um faz com sua própria vida é problema de cada um. O que eu acredito é que essa decisão, não cabe a mim ou a você ou ao governo, mas apenas à mulher grávida.

  • 24/09/2010 - Gigi disse:

    Gostaria de aqui lançar uma questão a cada um de vcs que defendem o aborto como uma opção exclusiva da mulher que não deve ter interferência de nenhuma outra pessoa…
    Se a mãe de vcs quando descobriu que estava grávida de vcs tivesse decidido abortar, teria sido uma boa escolha ?

  • 24/09/2010 - Cátia disse:

    Uma boa escolha para quem? para mim, não, mas para minha mãe, talvez sim.

  • 14/10/2010 - Paris Katlin disse:

    Concordo totalmentee! porque minha irmã ficou grávida, e ela nao tem condiçoes nenhumas de criar o filho dela então falei pra ela abrota, então ela foi procura uma clinica, mas só tem clandestina e isso é muito ruim, e bem nojento. ehehehe, que nem a fátima da novela ”passione”. Minha irmã te adoro Cátia, muito bom seu póst. beijos da paris katlin

  • 15/10/2010 - ROSE KRAMER disse:

    BOM EU SOU A FAVOR SIM DO ABORTO, POIS NOS TEMOS QUE DECIDI O QUE É MELHOR PRA NOS, MAS NÃO EM TODOS OS CASOS EU SOU A FAVOR DO ABORTO , MAS NOS CASOS DE ESTRUPO COMO QUE VOCÊ PODE COLOCA ALGUEM NO MUNDO SENDO UM FRUTO DE ESTRUPO,POR QUE ALGUMAS PESSOAS ACABAM FICANDO MUITO ABALADAS ,COM ISSO ACABA JOGANDO TODA A CULPA EM QUE ESTÁ PRA NACER QUE NÃO TEM NADA A VER . E AI COMO FICA ???

  • 19/10/2010 - nome sandragomes disse:

    Insira seu comentário aqui. Cátia, adorei seu texto e todo o debate que ele suscitou em seguida. Como vc escreveu em maio deve ter recebido a resposta a sua pergunta quanto aos candidatos agora não é? Espanta-me e revolta-me ver como pessoas ditas de esquerda podem ser tão covardes quando se trata de eleger-se. A Dilma falou que não vai fazer alteração na legislação de aborto exclusivamente para não perder os votos dos padres e pastores e seus seguidores e não por convicção, pois sabemos muito bem que ela, como intelectual esclarecida concorda com o aborto nos termos que vc colocou e que são os termos que as feministas defendem, jamais por prazer ou irresponsabilidade, óbvio!! O Serra da mesma forma, enfim, são todos (Marina idem) farinha do mesmo saco! Uma vantagem temos com essa fuga do debate dos presidenciáveis: o debate instalou-se. E precisamos debater essa questão, especialmente a necessidade de descriminalização. Parabéns porsua posição e disposição para o debate. Saudações feministas revolucionárias.

  • 24/10/2010 - Clarissa disse:

    Se uma mulher não quer ter filhos, por favor, que use camisinha ou pílula. Pra que abortar se hoje em dia tem tantos métodos contraceptivos?????? Tirando casos em que a mulher foi estuprada ou corre risco de vida, não há motivos para abortar hoje em dia, se fazem aborto clandestinamente é por que são ignorantes. Sou a favor do direito a vida, o feto não merece morrer porque sua mamãezinha não se conteve e abriu as perninhas ou se esqueceu que está no século XXI onde é tão fácil comprar uma camisinha… rssss. Não matem ainda mais, por favor, se não tem condições ter um filho e vc está grávida, dê seu filho para a adoção, mas não mate um inocente (ser humano pra mim é ser humano, não importa a idade). A chave para diminuir as mortes das mães que fazem aborto é com educação, como disse acima, há inúmeros métodos contraceptivos e as pessoas deveriam mais se informar sobre o sexo ( e não se desinformar) e tomar cuidado até mesmo para não pegar uma DST. Legalizar o aborto não vai ajudar efetivamente na raiz do problema. Se a minha mãe tivesse abortado, eu não estaria aqui, não estaria terminando minha faculdade de engenharia. Como no mundo de hoje não há amor e as pessoas pensam muito mais em si mesmas (egoístas), não reclamem que mundo tá ruim e é caos, se mundo tá assim é porque as pessoas são assim.

  • 25/10/2010 - Thiago disse:

    Com todos esses metódos de prevenção, programas de conscientização, é uma pouca vergonha que as pessoas defendam a legalização do aborto!
    Esse seu texto é totalmente asqueroso! A mulher tem a opção de pensar bem antes de se relacionar sexualmente com um indivíduo, ou estou errado?

    Cada coisa –’

    A humanidade sempre acha que é mais fácil remediar do que previnir né?
    parece mais prazeroso sair “dando” por aí e depois abortar aquilo que ela/ele mesmo ocasionou, pouca vergonha. Lamento.

  • 26/10/2010 - JONANTINHAS disse:

    Catia diz :
    “há várias situações em que eu pessoalmente seria contra o aborto, mas quem sou eu ou você para decidir que uma mulher deve carregar um filho indesejado por conta de sua má conduta? No caso de uma pessoa irresponsável ficar grávida, você acha que ela seria “corrigida” tendo um filho indesejado?”

    Eu acho o seguinte, porque essa mulher nao pensou 2 vezes antes de ter uma gravidez indesejada, matar uma vida por descuido dessa mulher irresponsavel?
    Essa mulher que se vire, e veja como é bom fazer besteira sem pensar 2 vezes. Sim, eu acho ki iria corrigir ela sim!

  • 27/10/2010 - nome Lou disse:

    Sim teria sido uma boa escolha, pois somente a mae(mulher) tem o direito de decidir sobre seu proprio corpo.
    Eu sou pela legalizacao do aborto, porque eu desejo que toda mulher tenha o direto de optar pelo aborto ou nao. Eu quero ter controle sobre meu proprio corpo e sobre minha propria vida! E voce?
    Pergunta para Gigi e demais: Pense que vc foi estrupada por uma bandido alcolatra, criminoso e o qual vc sabe tem AIDS. E voce ficou gravida dele. Voce faria um aborto ou nao?
    Pense tambem que isso aconteceu com sua filha? O que vc acha que sua filha deveria fazer?
    A maioria das pessoas que é contra a legalizacao do aborto pensam que esse tipo de problema so acontece com os outros. O dia que isso acontece com elas, ai então elas mudam de opnião!

  • 29/10/2010 - Gigi disse:

    A FAO comprovou:quando as mulheres são conscientizadas,sabem controlar a natalidade e o aborto cai. É pela educação que evitaremos o aborto. É ´pela edução que teremos pessoas vivendo dignamente… Pensem nisso !!! Lutemos por nossos direitos pró vida !

  • 07/11/2010 - Fábio Nóbrega disse:

    Cátia Kitahara, agradeço por no mundo ainda existirem pessoas como você: pessoas que de fato pensam que a vida é complexa e não se resume só a você ou seu ciclo social. Os problemas ou dificuldades que cada indivíduo passa são diferentes quanto a intensidade ou proporção. Sei que só a palavra ABORTO ja é forte, mais OBRIGAR/ IMPOR alguém a carregar um nascituro/ feto que não deseja, além de forte é CRUEL com ambos(mulher e feto), que sofrerão com essa decisão imperativa. Lembrando que vivemos num país tao DEMOCRÃTICO.
    Não cabe a mim julgar sobre as atitudes dessa mulher antes do fato, e sim apenas ENTENDÊ-LA, porque eu sei que minha vida foi e é muito fácil, afinal tenho tudo que é necessário para viver bem, mas não sei oque essa mulher que optou pelo aborto já passou ou continua passando.
    A única lógica que eu não entendo é: porque ser contra algo que de certa forma não irá interferir na sua vida? Se você não gosta ou tem preconceito contra as pessoas que cometem esse ato, respeite, fique longe, mas não queira interferir num direito delas, pois se o direito fosse seu, garanto que você pensaria ou agiria igual ou semelhante. Eu fico com muita raiva quando as pessoas querem tomar decisões por mim e creio que muitos de vocês também não admitem isso. Então porque querer fazer com o próximo o que não gostaria que fizessem com você.
    A necessidade de esclarecimento: é legalização do aborto ( poderão fazer os casos previstos e defendidos por lei) e não descriminalização do aborto ( pessoas que cometerem aborto que não forem defendidos por lei serão punidas penalmente). Agora oque não se pode é punir uma mulher que foi estuprada e em pior estado de consciencia cometa um aborto! Ou uma muher que foi obrigada pelo marido a fazer sexo e engravide. Entre outros.

    Me chamo Fábio, tenho 20 anos e sou estudante de Direito. Sei que não sou O exemplo, não tenho nenhum caso de aborto conhecido pessoalmente, posso não ter falado muito bem. Mas pelo menos falei, e não falei pensando só em mim, pensei em alguém que não conheço. Mais compaixão que isso só ajudando financeiramente e psicamente aquela mulher,, porque apontar é fácil, ajudar é que é dificil.

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